segunda-feira, 11 de julho de 2011

Giles



Em uma aula, certa vez, meu amigo Cyro Del Nero disse:
"O Egito me dá preguiça."
O comentário politicamente incorreto deixou a turma em suspenso por alguns instantes, até ele explicar. A civilização egípcia era tão grandiosa e sua importância na História e na Arte tão grande que seria preciso uma vida dedicada só a ela, para lhe fazer justiça. E ele preferia se dedicar à Grécia. E a Grécia para o Cyro não admitia concorrência.

Hoje em dia tenho visto muitos espetáculos e/ou projetos que sempre citam Deleuze. Acho que o teatro, antes do Deleuze, não existia. Ou pelo menos não existia em sua forma ideal, que é a do "teatro contemporâneo"... Li coisas dele como comentador do Artaud, mas me incomoda o fato de que tudo hoje em dia parece ter que possuir a "chancela" do Deleuze - ao menos uma citaçãozinha, vai - para constituir-se como pensamento.

Prefiro ler o Artaud do que o comentário do Deleuze sobre o Artaud. Mesmo que declarar isso seja um pecado...

E tem MUITA coisa que funciona em teses, projetos, programas de peça... Mas não se configuram na prática. A questão é que nossas leituras constroem nosso pensamento e interferem diretamente o nosso fazer - mas não RESOLVEM nosso fazer.

Não duvido da importância do Deleuze mas sinceramente acho que não estou a fim de dedicar minha vida a ele. Deleuze para mim é como o Egito. Dá uma certa preguiça...

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