
Esses dias tocou Supertramp no rádio.
Esse disco aí é um que eu costumava ouvir. Hoje confesso que os falsetes me soam estranhos, mas mesmo assim fica uma relação afetiva com ele. Tinha um LP duplo (disco mesmo) do Paris, gravado ao vivo, muito bom também.
E fica o título: Crisis? What Crisis?
A crise veio. E com a simplicidade da resolução no seu âmago. Paixão. Tem que se estar apaixonado, porque só viver não basta para se sentir vivo. Mas eu sigo a caminho dela, isso eu sei. Pode ser divagando sobre uma idéia, pode ser lendo, escrevendo, conversando sobre. As conversas são fundamentais. E sim, elas me fazem crer que há um caminho.
Porque de repente vem um medo de deixar passar a possibilidade de ser mais vivo, de estar mais vivo. E isso é difícil de medir: o que é uma preparação, o que é uma omissão. Quero estar me preparando, não me omitindo. Muita coisa mudou. Olhando para trás isso me parece claro. E é impensável fazer menos, hoje, do que há dez anos atrás. Guardo a minha ansiedade por saber que ela não me ajudou até agora. E procuro encarar essa espera de realização como a ante-sala de dias mais verdadeiros.
Há que se por em prática.
Talvez seja realmente fazer aquilo que mais se teme. Sem frases feitas não, só a constatação de que "a selva é escura, mas está cheia de diamantes".
Crise? Que crise?
Você acha que o Teseu, quando teve que entrar na porcaria do labirinto para matar o Minotauro, não estava com medo? Claro que estava! "Entra aí, é um labirinto e tem um monstro para você matar." Bem bacana o passeio.
Mas se ele fosse vivo hoje renderia uma propaganda da Johnnie Walker ou da Adidas. "Keep Walking" ou "Impossible is Nothing".
Lembrando a Ju falando sobre a terapia: "a função do terapeuta é devolver de maneira serena a consciência ao analisado de que ele é o responsável pela sua vida." Ou seja, nossa vida é o labirinto que temos que enfrentar, o Minotauro talvez seja nós mesmos. Há que se matar os medos, inseguranças e ansiedades. Há que se lançar no abismo da fé.
Ou ficamos olhando a vida de fora.
Crise? Que crise? Vou é matar esse bicho metido a besta com cabeça de touro logo de uma vez.
8 comentários:
quanta verdade na sua escrita.
a paixão para se sentir vivo. estar a caminho dela (da paixão). o medo. o não desistir. principalmente o não desistir. atacar o "bicho" ou os bichos". poxa!!se eu soubesse escrever como você teria escrito esse texto.
como disse, é a mais pura verdade. ou porque estando na mesma fase, me identifiquei totalmente com sua escrita.
parabéns. obrigada e muita sorte na luta contra os minotauros.
dica de uma peça: dostoievski no armário. acontece todo domingo as 21:00hs no teatro sátiros 2. não é propaganda, não participo da peça, fui ontem na estréia e lembrei desse post e resolvi dar a dica.
fala de angústias, tristezas, solidão. não estamos sozinhos nesse barco, não.
Compartilho da sua dúvida: até que ponto esperar e preparar é sensato, produtivo, mitigante? Corremos o risco de passar a vida guardando os cristais da Bavária para usar em uma ocasião especial, que de tão especial pode nunca acontecer? Aonde fica o equilíbrio entre a sensatez e a covardia?
Ad impossibilia nemo tenetur
A crise veio...e como sempre restam as baratas esses seres extraordinários cheios de vitalidade e resistência, oriundos de, quem sabe, outros mundos virando-se como nós com aquilo que nos resta, ou com o que resta de nós...
Mas as baratas têm paixão?
Desculpe o curto devaneio, mas esta baratinha aqui tem no mínimo curiosidade (isso sim , me corroendo incessantemente, ou melhor, quase apaixonadamente,a ponto de, entre pilhas e pilhas de lixo eletrônico encontrar um blog digno de comentário...)
Já tirei os cristais do armário, já me atirei apaixonadamente por caminhos escuros em busca dos tais diamantes... vidro, sempre vidro! mas o tal Minotauro, esse ser labiríntico que , no fundo sou eu, se faz ainda mais labirinto... e me puxa às vezes mais pra dentro, mais pro escuro. Às vezes me pergunto como seguir qualquer caminho quando não se sabe ainda se você é a vilã ou a mocinha da história? Só posso concordar que é agindo, sem medo de descobrir se o seu final não é aquele do filminho americano ... quem sabe a vida é meio mais pra Fellini do que pra Hollywood. tomara :)
quero deixar um manifesto que não tem nada a ver com seu lindo texto. Mas como não tenho blog e você é uma pessoa que realmente vai me entender (enão tenho seu e-mail) uso seu blog como meio não tão privado (salvo sua filtragem sábia) de comunicação:
AS VACAS SÃO MUITO DISCRIMINADAS!!
Hoje de manhã, burlando meus tediosos afazeres "trabalhísticos", resolvi procurar na internet onde se compram golas de pele. Poderiam ser sintéticas, afinal as naturais são bem caras, o que não se encaixa na minha necessidade para as tais golas (a de renovar peças arcaicas do meu guarda-roupas). após digitar "golas de pele e casacos de pele" no google o que me apareceu foram páginas e mais páginas não de endereços de lojas, mas de grupos em prol dos animais e contra qulquer forma de uso de peles em vestimentas. ok, eu também amo os bichinhos fofinhos, então resolvi digitar (obs, se nesse momento vc não estiver rindo é melhor esquecer o resto...)continuando, resolvi digitar "casacos de couro". resultado: milhões de endereços nacionais, internacionais de lojas, compras via internet e o cacete de casacos feitos com a pele das adoráveis mimosas (e porquinhos, e afins)! E as vacas? Não são animaizinhos fofinhos?? Não merecem ser respeitadas como as chinchilas e as focas e raposas? Sabe que descobri que na Índia apenas s vacas (fêmeas) são sagradas, os bois viram churrasco mesmo. Santa hipocrisia...
Enfim, cada bicho com sua ONG e nós vamos em frente, de casaco de pele e comendo um bom bife ancho!! Só resta agora a criação de uma associação pelos direitos dos vegetais e leguminosas, coitados indefesos, tão presos às suas raízes!!!
Bem, chega de devaneios (mais um, mas se valeu uma risadinha fico feliz).
Pôxa René, cadê um texto novo? Eu sei que é final de semestre e como isso tem um quê de fim de ano pra você, que você tem peça na semana que vem, que é Copa do Mundo e como bom hétero confesso você também assiste aos jogos (se torce ou não eu não faço a mínima, mas creio que debaixo dos olhinhos claros o sangue ferve, ah ferve!)e outras tantas outrs coisas que nem são da minha conta.... mas você podia escrever algo novo, nem que fosse sobre futebol.... Hehe, nunca li blogs antes e agora já estou, como convém ao estereótipo feminino machista, exigindo coisas!! (calma que o chilique não virá, prometo!)
Acho que ler o blog de alguém que conheço - não muito bem - ao vivo e a cores (e gostar do que li, pois idenpendente do conteúdo acredito ser expressão sua, única)me deu vontade de ler mais, de perguntar mais, e ao mesmo tempo perceber que meus posts anônimos (vários, apenas nesse último texto) mostram o quanto ainda não consigo fazer essas coisas em pessoa. Como ainda não me assumo pra mim mesma. Minhas falas virtuais são muito mais rebuscadas e ousadas em sua despreocupação, sua falta de censura (sim, pois mesmo quando rebusco as falas ou escolho meus termos não penso muito se a bobagem é excessiva e tenho certeza de que ela, a bobagem, a graça - não por burrice ou falta de intelecto, mas por falta de maturidade e uma necessidade extremíssima de provocar descargas automáticas de endorfina através do riso - compõe grande parte do meu ser.
Espero continuar lendo seus textos, perceber neles o que realmente me instiga a escrever e, quem sabe um dia, quando a maturidade se fizer mais presente (acredite, é em tantas coisas que ela se mostra ausente...)poderei continuar fazendo minhas graças ao vivo, ou melhor, poderei falar o que penso sem ter que às vezes me "esconder" nas minhas gracinhas.
Postar um comentário