
- Já reparou como as pessoas hoje não usam mais relógio?
- Como assim?
- É, está virando obsoleto, quase todo mundo vê as horas no celular.
- Entendi. E aí toda a vez que quer consultar as horas tem que tirar do bolso, ou da mochila, da bolsa... Muito prático.
- Você que é um escravo do tempo.
- Ah sim. Será que a gente vive na mesma cidade?
- Além do mais, com esse calor, a gente sua embaixo da pulseira.
- Bom, a gente sua embaixo de muita coisa e nem por isso tira tudo.
(...)
- Aqui está parecendo o Sahara.
- Com a diferença de que no Sahara esfria à noite.
(...)
- Uma atriz amiga minha comentou sobre a peça que ela faz sublinhando a proeza que é usar um sobretudo em cena nesse calor.
- Uma atriz amiga minha comentou sobre uma peça que fazia em que ela se molhava inteira num frio desgraçado.
- Um ator que eu conheço reclamou que na peça que ele está ensaiando tem muito texto para decorar.
- Um aluno de uma das turmas que eu dou aula reclamou que tem pouco texto.
- Essa gente de teatro nunca está satisfeita ou é impressão?
- Dá tempo de prestar Medicina?
(...)
- Por que eu não posso trabalhar de bermuda se as mulheres aqui podem usar saia?
- Sua perna é peluda.
- Entendi. A outra saída é depilar, então?
(...)
- Seu banheiro fica pronto até sexta mais ou menos.
- Xi, mas sexta é feriado.
- Hum... É, no feriado a gente não trabalha.
- Então semana que vem. Segunda, mais ou menos?
- Xi... Tem um outro cano aqui que é da coluna do prédio, está podre, olha... Se deixar assim daqui a pouco você tem que quebrar tudo de novo.
- Entendi. Nesse meio tempo eu compro mais areia para o gato e uso eu mesmo uma caixinha. Maravilha.
(...)
- Está difícil dormir nesse calor.
- Deixa a janela aberta.
- Entra claridade.
- A porta.
- E o barulho da rua?
- Já pensou em se matar?
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