Se você acorda com dor de cabeça o azar é seu. Outro dia li em algum lugar uma frase mais ou menos assim: "a vida é sua e o problema é que ninguém tem nada a ver com isso".
E não vou colocar citações, textos em itálico. No máximo as aspas acima como releitura de algo semelhante ao transcrito.
Acordar com dor de cabeça não é assunto que interesse aos outros, mas só a você. Pensando nisso tomei um café para melhorar, mas acho que só a insistência em manter-se ativo ao longo do dia pode fazer a cabeça sarar. Ou não.
Pior é acordar amando alguém um dia e odiando no seguinte, ou querer fazer medicina e no outro dia engenharia química, decidir algo vital e depois mudar de opinião, ir dormir corintiano e despertar palmeirense. Já ia citar o Kafka dizendo que o despertar é o instante mais perigoso do dia, mas me controlo. Sem citações. Ou pelo menos sem itálico.
Ao menos acordar com dor de cabeça não é acordar metamorfoseado. Pelo menos não em um inseto monstruoso.
Se bem que insetos monstruosos não acessam e-mails, não falam ao telefone, não digitam, não pegam ônibus, não vão a bancos, não pagam contas no final do mês. Apesar de odiados pela humanidade, gozam do temor alheio e vivem sem preocupações. Ia citar um texto do Luis Fernando Veríssimo com o mesmo nome do de Kafka, mas me controlo. Pelo menos não usando itálico, pelo menos tentando falar por mim mesmo sem intermediação.
E o inseto segue odiado, mas alheio às mazelas humanas.
Deve haver alguma vantagem nisso.
Melhor seguir com a dor de cabeça...
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