sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crisis? What Crisis?


Esses dias tocou Supertramp no rádio.
Esse disco aí é um que eu costumava ouvir. Hoje confesso que os falsetes me soam estranhos, mas mesmo assim fica uma relação afetiva com ele. Tinha um LP duplo (disco mesmo) do Paris, gravado ao vivo, muito bom também.
E fica o título: Crisis? What Crisis?

A crise veio. E com a simplicidade da resolução no seu âmago. Paixão. Tem que se estar apaixonado, porque só viver não basta para se sentir vivo. Mas eu sigo a caminho dela, isso eu sei. Pode ser divagando sobre uma idéia, pode ser lendo, escrevendo, conversando sobre. As conversas são fundamentais. E sim, elas me fazem crer que há um caminho.

Porque de repente vem um medo de deixar passar a possibilidade de ser mais vivo, de estar mais vivo. E isso é difícil de medir: o que é uma preparação, o que é uma omissão. Quero estar me preparando, não me omitindo. Muita coisa mudou. Olhando para trás isso me parece claro. E é impensável fazer menos, hoje, do que há dez anos atrás. Guardo a minha ansiedade por saber que ela não me ajudou até agora. E procuro encarar essa espera de realização como a ante-sala de dias mais verdadeiros.

Há que se por em prática.
Talvez seja realmente fazer aquilo que mais se teme. Sem frases feitas não, só a constatação de que "a selva é escura, mas está cheia de diamantes".

Crise? Que crise?

Você acha que o Teseu, quando teve que entrar na porcaria do labirinto para matar o Minotauro, não estava com medo? Claro que estava! "Entra aí, é um labirinto e tem um monstro para você matar." Bem bacana o passeio.

Mas se ele fosse vivo hoje renderia uma propaganda da Johnnie Walker ou da Adidas. "Keep Walking" ou "Impossible is Nothing".

Lembrando a Ju falando sobre a terapia: "a função do terapeuta é devolver de maneira serena a consciência ao analisado de que ele é o responsável pela sua vida." Ou seja, nossa vida é o labirinto que temos que enfrentar, o Minotauro talvez seja nós mesmos. Há que se matar os medos, inseguranças e ansiedades. Há que se lançar no abismo da fé.

Ou ficamos olhando a vida de fora.
Crise? Que crise? Vou é matar esse bicho metido a besta com cabeça de touro logo de uma vez.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

103 anos


Não se iluda. A beleza é efêmera.
Mesmo se durar 103 anos.
Há que se preservar os instantes onde ela impera.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Olá

Tudo bem por aí?
Faz tempo que eu não escrevo para você, então esse é um "resgate" ou algo do tipo. Me disseram uma vez que usamos essa palavra - resgate - no sentido errado. Resgatamos algo quando há uma troca. Por exemplo, quando alguém seqüestra uma pessoa e pede um resgate, ele recebe algo para devolver algo (no caso, a pessoa em questão). Aí me pergunto: se é unilateral, é um "resgate"?
Talvez sim, mas sem pensar em receber algo, dou algo. Um "resgate unilateral". Ou então apenas esteja dando alguma coisa para receber, de mim mesmo, outra. Resgatando a mim mesmo, quem sabe - no sentido de mover-se para a direção correta.
Voltando. Faz tempo que não escrevo para você. Espero que esteja tudo bem por aí. Aqui, deste lado do globo terrestre que circunscreve minha pessoa, as coisas caminham bem. Tive um contratempo com o dedão do pé e um acúmulo de trabalho até o final do semestre, além de uma viagem frustrada que chegou e se foi de surpresa. De resto, tudo bem.
E você? Como está tudo por aí? Espero que tenha resolvido aquelas questões antigas e que tenha achado aquelas coisas que perdeu. Da última vez que nos vimos eu não comentei, mas tinha uma espinha perto do queixo - agora fico mais à vontade para falar - espero que ela tenha sumido. Tomou os remédios direitinho? Eu tive vários aqui de seis em seis, oito em oito, doze em doze horas. Segui à risca as indicações.
Não se renda ao esquecimento ou distração. Faz seu tratamento certinho.
Bom, depois escrevo mais. Tem um inseto monstruoso esperando.
Grande beijo

P.S.: Qualquer problema, quebre o vidro. Mas quebra com vontade sem medo dos cacos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lukánikos


Esta semana fiquei impressionado com o Lukánikos, o "cahorro anti-sistema" grego, que acompanha os manifestantes nas passeatas desde 2008. Puxa, minha gata perto do Lukánikos é de uma alienação política espantosa. Ela deitaria no colo do Maluf ou da Heloísa Helena, sem distinção. Ou ignoraria ambos. Com aquele jeito felino de estar acima do bem e do mal.
Quase fui à Grécia por esses tempos. Já estava imaginando meu encontro glorioso com o Lukánikos, ele deitadão, de barriga para cima, e eu afagando seu dorso até que alguém tirasse a foto histórica com meu ídolo. Lukánikos é mais que um cão, é uma instituição, uma bandeira que se estende mundo afora.
Toda a nossa política, nossa noção de cidadania, de ética, treme ao menor latido do Lukánikos. Do alto de suas quatro patas que perambulam pelo berço da democracia, ele urina galante sobre nossa pífia idéia de civismo. Lukánikos, o garboso vira-latas ateniense que pertence à estirpe de Argos, o cão mítico de Ulisses.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mad As Hell! Kinetic Typography



I don't have to tell you things are bad. Everybody knows things are bad. It's a depression. Everybody's out of work or scared of losing their job. The dollar buys a nickel's work, banks are going bust, shopkeepers keep a gun under the counter. Punks are running wild in the street and there's nobody anywhere who seems to know what to do, and there's no end to it. We know the air is unfit to breathe and our food is unfit to eat, and we sit watching our TV's while some local newscaster tells us that today we had fifteen homicides and sixty-three violent crimes, as if that's the way it's supposed to be. We know things are bad - worse than bad. They're crazy. It's like everything everywhere is going crazy, so we don't go out anymore. We sit in the house, and slowly the world we are living in is getting smaller, and all we say is, 'Please, at least leave us alone in our living rooms. Let me have my toaster and my TV and my steel-belted radials and I won't say anything. Just leave us alone.' Well, I'm not gonna leave you alone. I want you to get mad! I don't want you to protest. I don't want you to riot - I don't want you to write to your congressman because I wouldn't know what to tell you to write. I don't know what to do about the depression and the inflation and the Russians and the crime in the street. All I know is that first you've got to get mad.
You've got to say, 'I'm a HUMAN BEING, Goddamnit! My life has VALUE!' So I want you to get up now. I want all of you to get up out of your chairs. I want you to get up right now and go to the window. Open it, and stick your head out, and yell,

'I'M AS MAD AS HELL, AND I'M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!'

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ato Cinco.



"(...) Dizendo que o senhor não está preparado."

"(...) Existe uma previdência especial até na queda de um pássaro.
Se é agora, não vai ser depois; se não for depois, será agora; se não for agora, será a qualquer hora. Estar preparado é tudo. Se ninguém é dono de nada do que deixa, que importa a hora de deixá-lo? Seja lá o que for!"

terça-feira, 30 de março de 2010

Considerações soltas ou últimas notícias...

Morreu Armando Nogueira.
E eu, que ainda nem tinha deixado passar o orgulho do Corinthians 4 x 3 São Paulo, com direito a gol contra aos 46 do segundo, me envergonho de nem saber que ele estava doente. Um mestre mesmo. Inteligente, bem humorado, nascido no Acre (é, existe o Acre mesmo!), digno representante da geração de Nelson Rodrigues. Se foi.
Pena. Mesmo. Tem gente que leva junto uma visão de mundo, parece.

"A Paixão Segundo GH" sempre volta. É um livro fantástico. Lembro que um estudioso acusou a Clarice de ter plagiado, em sua obra, a Virgínia Woolf. Como, "Orlando" incluso, nunca li Virgínia Woolf (não, "Quem tem medo de Virgínia Woolf" não conta!), para mim não faz muita diferença. Estaríamos voltando ao módulo "caçadores do pelo em ovo perdido" e como diria o Tchebutkin nas "Três Irmãs", "tanto faz, tanto faz!"...
O livro da Clarice é daqueles que dá vontade de comprar e presentear as pessoas. Do mesmo jeito que dá vontade de obrigar todo mundo a assistir o "Policarpo Quaresma" dirigido pelo Antunes, ou comer temaki de salmão até aprender a gostar. Um desejo de partilhar aquilo que se encontrou pelo caminho e que se considera necessário. Sem nenhum tipo de vaidade no estilo "se eu gosto é porque é bom". Algo que se acredita "para além do gosto pessoal" mesmo.

Acho que existem experiências que nos fazem pessoas melhores. Um bom livro, que nos lembra da capacidade humana de construir beleza só com a palavra. Uma peça de teatro que nos mostra essa beleza ao vivo - se possível num palco nu, onde o ator toca nossa imaginação (o Lee Taylor deve ser o segundo melhor ator dessa geração, só perde, por pouca coisa, do Danilo Grangeia, outro monstro).

E por que não uma comidinha japonesa?

Comentário solto: o Ricky Martin assumiu sua homossexualidade. Bom para ele, deve ter tirado um peso das costas (não, não foi com intenção de duplo sentido tosco, juro). Engraçado como essas questões animam a mídia. Mas como fica agora a sua imagem de sex simbol perante o público feminino? George Michael já enfrentou isso antes.

Sem preconceito, antes com inveja: Deus dá asa para cobra! Justo um cara que poderia ter a mulher que quisesse abandona o barco? Do jeito que as coisas andam, logo logo as pessoas vão ter que assumir a heterossexualidade. Aí sim vai ser notícia bombástica! Eu assumo a minha!