
Outro dia estava conversando com minha amiga Carolina Costa e perguntei se não deveríamos, nós que temos nossa vida tão alterada pela mudança de semestres, comemorar o "semestre novo", algo quase tão ou mais importante que o ano novo.
A cada semestre nós, professores e alunos, ficamos à mercê das mudanças: turmas e horários que mudam, rotinas que se alteram, pessoas que vêm e que vão.
Semestre novo: 365 dias, divididos por dois, dá 182 e meio. Ou seja, dia 02/07, ao meio dia, passamos para o novo semestre.
Fiquei imaginando um grande almoço de sexta-feira, com champagne, folga no trabalho para todos os envolvidos com aulas, escolas, faculdades, etc do meio dia em diante. Abraços comovidos de final de semestre. Desejos de paz, prosperidade, nas praias aquela comoção de professores e alunos mandando oferendas para Iemanjá, rojões e fogos de artifício inúteis em pleno dia, gente de branco, nas ruas o cantarolar de "adeus, semestre velho..." e tudo mais.
No Jornal Hoje as reportagens cobrindo o evento com grande gala, interrompendo a programação normal, o Evaristo Costa se sentindo o próprio Cid Moreira, Roberto Carlos e Xuxa invadindo as telas, o Faustão na contagem regressiva. Tudo isso antes da Retrospectiva do Semestre, com os principais fatos que ocorreram na metade de 2010. Uma beleza.
A moda pega. Com o passar do tempo, as pessoas adotam o calendário semestral. Agendas são vendidas inteiras ou pela metade, conforme o gosto do freguês. As pessoas começam a contar a idade por semestres: a maioridade penal agora é aos quarenta e dois semestres. Tudo o que antes era semestral passa a ser trimestral.
E como as aulas passam a acontecer em módulos de quatro trimestres anuais, logo o trimestre ganha status. E começa tudo de novo.
Pensando bem, deixa como está.