quinta-feira, 8 de julho de 2010

21 motivos para deixar a cidade grande


As 21 coisas que mais fazem você pensar em desistir de morar em uma cidade grande:

1 - A violência que consegue parecer relativa de tanto que nos acostumamos com ela.

2 - A miséria social que consegue parecer relativa de tanto que nos acostumamos com ela.

3 - O trânsito que parece normal de tanto que nos acostumamos a ele.

4 - A poluição que parece normal de tanto que nos acostumamos a ela.

5 - O custo de vida que parece normal de tanto que nos acostumamos a ele.

6 - A falta de tempo para as pessoas que gostamos de tanto que nos acostumamos a trocar relações reais por intermediadas pelo celular e a internet.

7 - A existência de cinemas, teatro, bares e restaurantes que você acaba nem frequentando por falta de dinheiro ou tempo mas que evoca como motivo para querer ficar numa cidade grande.

8 - A chuva que quando cai para tudo, mesmo não sendo Manaus.

9 - As obras públicas que andam na correria ou param de repente, ao sabor das eleições.

10 - O stress que emana das pessoas.

11 - A competividade que emana de qualquer atividade profissional.

12 - A perda de qualquer noção de tradição.

13 - O consumismo que emana em qualquer esquina.

14 - As leis de fundo moralista que servem para agradar as classes "formadoras de opinião": lei anti-fumo, psiu, etc., que não levam em conta as opções individuais nem a realidade específica de cada região ou estabelecimento.

15 - A corrupção da máquina pública.

16 - A truculência da polícia.

17 - A perda cada vez maior das relações mais próximas nos bairros, como a falência dos mercadinhos engolidos pelas grandes redes de supermercados.

18 - A falência do sistema de saúde.

19 - A superlotação dos transportes públicos.

20 - O acesso à arte e cultura cada vez mais restrito aos guetos de quem produz.

21 - As políticas de acesso à arte e à cultura assistencialistas ou manipuladas.

Quem aumenta a lista?

terça-feira, 6 de julho de 2010

"Você gosta dos heróis tortos, não?"



Ontem terminaram as apresentações do "Cyrano de Bergerac" no Macunaíma.
Com todas as ressalvas de uma montagem de um curso técnico, fica uma sensação de gratidão por ter trabalhado um universo que na minha opinião vale a pena ser discutido. Esses tais "heróis tortos", como alguém comentou após a sessão comigo.
Não vou me estender sobre isso porque quando comentei do "Quixote" (que Cyrano, no texto, chama de "meu irmão")já falei do anti-herói e sua humanidade, nada muito original mesmo.

Mas em época de Copa do Mundo, vale lembrar que não é a simples derrota que faz um anti-herói que se preze. Se fosse assim, o Dunga seria um exemplo. E não é que brigaram comigo por causa do Dunga esses dias? Tenha santa paciência. Tem coisas que não vão para frente só porque nos convenceram de que apesar de tudo deve-se sempre estar de acordo. Qualquer idéia que não contenha em si uma auto-crítica (religião, política, pátria, time, o que for) só nos mantém na ignorância. Pelo amor do Cristo!

Será que vivemos em um tempo onde a noção de "nobreza" se perdeu? "Nobreza" não no sentido elitista do termo, mas de grandeza de aspirações, de idéias, de sonhos... Coisa que o Dunga não tem, certamente. Ele é só turrão, como o nome tirado dos sete anões sugere - na verdade um misto de Zangado com Soneca. Mas falar do Dunga também não vale a pena. Que ingenuidade nossa engolir qualquer coisa que nos é colocada no prato!

Hoje foi um dia triste, a Copa deu seu último suspiro para mim com o Uruguai saindo. Mas foi um jogo de Copa do Mundo mesmo. Coisa que o Brasil só teve nos primeiros 45 minutos do jogo derradeiro. O Dunga não é anti-herói. É pastiche de protagonista. E o Felipe Mello é vilão de quermesse. E não adianta viver de glória do passado. Não somos melhores que ninguém antes que o jogo acabe.

Anti-herói foi o Suárez do Uruguai, que tirou a bola do gol, consciente da expulsão, sem ser desleal - pagou o preço e deu ao seu time a última chance. E deu certo. Esse sim é o Cyrano uruguaio, o Quixote uruguaio. Melhor que nossos heróis por excelência - Kaká, principalmente - que tem como álibi o currículo e não o que produzem aqui e agora em campo.

Ops, aqui e agora não, já devem estar vendo o final da Copa pela televisão.
Acho que para eles a Copa nem acabou, devem estar rindo e comendo pipoca enquanto as pessoas ingênuas brigam por causa desse bando de milionários...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crisis? What Crisis?


Esses dias tocou Supertramp no rádio.
Esse disco aí é um que eu costumava ouvir. Hoje confesso que os falsetes me soam estranhos, mas mesmo assim fica uma relação afetiva com ele. Tinha um LP duplo (disco mesmo) do Paris, gravado ao vivo, muito bom também.
E fica o título: Crisis? What Crisis?

A crise veio. E com a simplicidade da resolução no seu âmago. Paixão. Tem que se estar apaixonado, porque só viver não basta para se sentir vivo. Mas eu sigo a caminho dela, isso eu sei. Pode ser divagando sobre uma idéia, pode ser lendo, escrevendo, conversando sobre. As conversas são fundamentais. E sim, elas me fazem crer que há um caminho.

Porque de repente vem um medo de deixar passar a possibilidade de ser mais vivo, de estar mais vivo. E isso é difícil de medir: o que é uma preparação, o que é uma omissão. Quero estar me preparando, não me omitindo. Muita coisa mudou. Olhando para trás isso me parece claro. E é impensável fazer menos, hoje, do que há dez anos atrás. Guardo a minha ansiedade por saber que ela não me ajudou até agora. E procuro encarar essa espera de realização como a ante-sala de dias mais verdadeiros.

Há que se por em prática.
Talvez seja realmente fazer aquilo que mais se teme. Sem frases feitas não, só a constatação de que "a selva é escura, mas está cheia de diamantes".

Crise? Que crise?

Você acha que o Teseu, quando teve que entrar na porcaria do labirinto para matar o Minotauro, não estava com medo? Claro que estava! "Entra aí, é um labirinto e tem um monstro para você matar." Bem bacana o passeio.

Mas se ele fosse vivo hoje renderia uma propaganda da Johnnie Walker ou da Adidas. "Keep Walking" ou "Impossible is Nothing".

Lembrando a Ju falando sobre a terapia: "a função do terapeuta é devolver de maneira serena a consciência ao analisado de que ele é o responsável pela sua vida." Ou seja, nossa vida é o labirinto que temos que enfrentar, o Minotauro talvez seja nós mesmos. Há que se matar os medos, inseguranças e ansiedades. Há que se lançar no abismo da fé.

Ou ficamos olhando a vida de fora.
Crise? Que crise? Vou é matar esse bicho metido a besta com cabeça de touro logo de uma vez.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

103 anos


Não se iluda. A beleza é efêmera.
Mesmo se durar 103 anos.
Há que se preservar os instantes onde ela impera.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Olá

Tudo bem por aí?
Faz tempo que eu não escrevo para você, então esse é um "resgate" ou algo do tipo. Me disseram uma vez que usamos essa palavra - resgate - no sentido errado. Resgatamos algo quando há uma troca. Por exemplo, quando alguém seqüestra uma pessoa e pede um resgate, ele recebe algo para devolver algo (no caso, a pessoa em questão). Aí me pergunto: se é unilateral, é um "resgate"?
Talvez sim, mas sem pensar em receber algo, dou algo. Um "resgate unilateral". Ou então apenas esteja dando alguma coisa para receber, de mim mesmo, outra. Resgatando a mim mesmo, quem sabe - no sentido de mover-se para a direção correta.
Voltando. Faz tempo que não escrevo para você. Espero que esteja tudo bem por aí. Aqui, deste lado do globo terrestre que circunscreve minha pessoa, as coisas caminham bem. Tive um contratempo com o dedão do pé e um acúmulo de trabalho até o final do semestre, além de uma viagem frustrada que chegou e se foi de surpresa. De resto, tudo bem.
E você? Como está tudo por aí? Espero que tenha resolvido aquelas questões antigas e que tenha achado aquelas coisas que perdeu. Da última vez que nos vimos eu não comentei, mas tinha uma espinha perto do queixo - agora fico mais à vontade para falar - espero que ela tenha sumido. Tomou os remédios direitinho? Eu tive vários aqui de seis em seis, oito em oito, doze em doze horas. Segui à risca as indicações.
Não se renda ao esquecimento ou distração. Faz seu tratamento certinho.
Bom, depois escrevo mais. Tem um inseto monstruoso esperando.
Grande beijo

P.S.: Qualquer problema, quebre o vidro. Mas quebra com vontade sem medo dos cacos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lukánikos


Esta semana fiquei impressionado com o Lukánikos, o "cahorro anti-sistema" grego, que acompanha os manifestantes nas passeatas desde 2008. Puxa, minha gata perto do Lukánikos é de uma alienação política espantosa. Ela deitaria no colo do Maluf ou da Heloísa Helena, sem distinção. Ou ignoraria ambos. Com aquele jeito felino de estar acima do bem e do mal.
Quase fui à Grécia por esses tempos. Já estava imaginando meu encontro glorioso com o Lukánikos, ele deitadão, de barriga para cima, e eu afagando seu dorso até que alguém tirasse a foto histórica com meu ídolo. Lukánikos é mais que um cão, é uma instituição, uma bandeira que se estende mundo afora.
Toda a nossa política, nossa noção de cidadania, de ética, treme ao menor latido do Lukánikos. Do alto de suas quatro patas que perambulam pelo berço da democracia, ele urina galante sobre nossa pífia idéia de civismo. Lukánikos, o garboso vira-latas ateniense que pertence à estirpe de Argos, o cão mítico de Ulisses.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mad As Hell! Kinetic Typography



I don't have to tell you things are bad. Everybody knows things are bad. It's a depression. Everybody's out of work or scared of losing their job. The dollar buys a nickel's work, banks are going bust, shopkeepers keep a gun under the counter. Punks are running wild in the street and there's nobody anywhere who seems to know what to do, and there's no end to it. We know the air is unfit to breathe and our food is unfit to eat, and we sit watching our TV's while some local newscaster tells us that today we had fifteen homicides and sixty-three violent crimes, as if that's the way it's supposed to be. We know things are bad - worse than bad. They're crazy. It's like everything everywhere is going crazy, so we don't go out anymore. We sit in the house, and slowly the world we are living in is getting smaller, and all we say is, 'Please, at least leave us alone in our living rooms. Let me have my toaster and my TV and my steel-belted radials and I won't say anything. Just leave us alone.' Well, I'm not gonna leave you alone. I want you to get mad! I don't want you to protest. I don't want you to riot - I don't want you to write to your congressman because I wouldn't know what to tell you to write. I don't know what to do about the depression and the inflation and the Russians and the crime in the street. All I know is that first you've got to get mad.
You've got to say, 'I'm a HUMAN BEING, Goddamnit! My life has VALUE!' So I want you to get up now. I want all of you to get up out of your chairs. I want you to get up right now and go to the window. Open it, and stick your head out, and yell,

'I'M AS MAD AS HELL, AND I'M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!'